Mensagem do auditor de Oncologia da área de Operações e Custos Assistenciais da Federação, Alberto Palma.
Pediram-me para trocar algumas palavras sobre a prevenção do câncer da próstata. E, talvez, alguns considerem que eu não seja a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto, por motivos óbvios. Já que sou médico, oncologista e tenho o câncer de próstata. Mas, eu acredito que sejam por esses motivos:
- Tenho quase 70 anos;
- Tenho pai com câncer de próstata diagnosticado há mais de 10 anos e em tratamento;
- Realizei desde os 55 anos visitas médicas anuais ao urologista;
- No período realizei três biopsias prostáticas; e
- Vários outros exames que visavam diagnosticar precocemente o câncer, se por acaso eu viesse a desenvolvê-lo.
Então, como podem perceber, graças a todo acompanhamento que realizei pude, o mais rapidamente, chegar ao diagnóstico e, assim, tratar o câncer, aumentando a possibilidade de cura e promovendo seu controle. Por isso, quero falar a vocês sobre as controvérsias a respeito do rastreamento do Câncer da Próstata, exclusivamente através da dosagem sanguínea dos níveis de PSA.
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda o rastreamento e preconiza o diagnóstico precoce como a melhor forma de prevenção da doença e, consequentemente, o aumento das taxas de cura. A Sociedade Brasileira de Urologia diz que homens, a partir de 50 anos, devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento por meio da dosagem do antígeno específico da próstata (PSA) poderá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios. Após os 70 anos, deverá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de dez anos.
Já a US Preventive Services Task Force (USPSTF) atualizou suas recomendações para rastreio de câncer de próstata, exclusivamente, com a dosagem de PSA no sangue. E, foi recomendado, que homens entre 55 e 69 anos, que estejam interessados em triagem com dosagem de PSA, discutam com seus médicos sobre possíveis benefícios e danos do rastreamento, antes da decisão. Para homens com 70 anos ou mais, há a não recomenda do rastreamento exclusivamente por dosagem do PSA no sangue. Enfatizando que aquela força tarefa de sociedades recomenda que a prevenção deve ser essencialmente ativa, isto é, com visitas pelo anuais ao Urologista para ser avaliado os diversos modos de se particularizar e prevenir ou de se diagnosticar precocemente a doença.
Então, para que tenhamos uma visão mais geral, vamos observar as recomendações de algumas outras sociedades médicas:
> A American Academy of Family Physicians and the Canadian Task Force on Preventive Health Care recomenda a realização de exames de câncer de próstata baseados em PSA;
> O American College of Physicians recomenda que os médicos discutam os benefícios e malefícios da triagem com homens de 50 a 69 anos, e só indicam o rastreamento para homens que priorizam a triagem e têm uma expectativa de vida de mais de 10 a 15 anos;
> A American Urological Association recomenda que homens de 55 a 69 anos, com expectativa de vida de mais de 10 a 15 anos, sejam informados sobre os benefícios e malefícios da triagem e se envolvam na tomada de decisões compartilhada com seus médicos, levando em consideração os valores e preferências de cada um. A sociedade em questão observa que, para reduzir os danos da triagem, é necessário o intervalo de dois ou mais anos;
> A American Urological Association também observa que as decisões sobre triagem, incluindo os potencialmente susceptíveis, devem iniciar a triagem antes dos 55 anos e, ainda, que sejam individuais e diferenciadas para homens brancos e homens afro-americanos, com histórico familiar de câncer de próstata e;
> A American Cancer Society adotou recomendações detalhadas de rastreamento, emn016, que destacam a importância da tomada de decisão compartilhada e a necessidade de uma discussão informada das incertezas, riscos e potenciais benefícios da triagem. A sociedade também recomendou que conversas sobre triagem comecem aos 50 anos, ou até mais cedo, para homens afro-americanos e homens com um pai ou irmão com histórico de câncer de próstata, antes dos 65 anos de idade.
Portanto, a vocês, meus companheiros de trabalho, quero deixar, neste novembro azul, a mensagem que se deve levar consigo como lição de casa. O câncer da próstata deve ser sim prevenido, mas, através de visitas ao médico urologista, a partir dos 50 anos de idade ou dos 45 anos, em casos de história familiar da doença, particularmente em afrodescendentes. Além disso, é importante que a triagem não seja realizada simplesmente com dosagens ocasionais dos níveis do PSA no sangue.
Pois que nos reste a convicção de que o câncer da próstata é sim rastreável, e que o diagnóstico precoce salva vidas, mas para isto, há de adquirir o hábito da consulta ao especialista.
Abraço a todos,
Alberto Palma
Médico auditor – OCA