Acordar cansado mesmo depois de passar oito horas na cama pode ter relação com um hábito cada vez mais comum: usar o celular até os últimos minutos antes de dormir. Segundo Thiago Henrique Roza, professor doutor da UFPR com foco em dependências tecnológicas e uso problemático da tecnologia, o consumo de redes sociais à noite mantém o cérebro em estado de alerta, interfere na produção de melatonina e pode fragmentar o sono — reduzindo fases importantes do processo para a recuperação física e emocional. A seguir, veja como um hábito noturno aparentemente inofensivo está afetando o seu sono.
O que as redes fazem com o cérebro antes de dormir
A luz azul das telas interfere na liberação de melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo sono-vigília. No entanto, o impacto não se limita à iluminação. O tipo de conteúdo consumido também exerce influência direta, podendo estimular o cérebro e dificultar a desaceleração fisiológica que antecede o sono.
“Muitos conteúdos da internet são carregados emocionalmente para chamar a atenção do público e engajar mais. Isso causa uma hiperativação neurobiológica, aumenta o estado de alerta e dificulta a transição natural para o sono”.
Como os algoritmos entregam conteúdos personalizados, o engajamento tende a ser ainda maior. O cérebro interpreta notificações, mensagens ou vídeos curtos como estímulos relevantes, prolongando o tempo de vigília.
“O nosso cérebro vai permanecer engajado, especialmente se o conteúdo consumido for emocionalmente carregado ou até algo personalizado para a gente”.
Além de atrasar o início do sono, esse estado de ativação influencia a forma como ele se organiza ao longo da noite.
Fonte: Techtudo.