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Projetos apostam em tecnologia para ampliar saúde mental no SUS 

Pesquisador defende uso de ferramentas digitais para atender pacientes que ficam sem assistência, especialmente fora dos grandes centros 

O acesso a cuidados em saúde mental ainda está longe da realidade de milhões de brasileiros. Embora transtornos como depressão e problemas relacionados ao uso de álcool afetem uma parcela significativa da população, boa parte das pessoas que precisam de ajuda não recebe qualquer tipo de atendimento.  

Para especialistas, a tecnologia pode ajudar a reduzir essa distância. O tema foi discutido pelo psiquiatra Paulo Rossi Menezes durante o Brain Congress 2026, que acontece entre os dias 2 e 6 de junho, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. 

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da área de saúde mental digital, ele apresentou projetos que utilizam aplicativos e plataformas tecnológicas para ampliar o acesso ao cuidado, especialmente na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo Menezes, a necessidade é urgente. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde mostram que cerca de 12% da população adulta apresenta sintomas de depressão que demandam algum tipo de acompanhamento. Isso representa mais de 15 milhões de brasileiros. 

“Hoje temos aproximadamente uma em cada quatro pessoas com sintomas de depressão recebendo algum tipo de cuidado. E não estamos falando necessariamente de um cuidado efetivo”, afirmou. 

Em regiões mais remotas, a situação é ainda mais delicada. Em um estudo realizado nos municípios de Tefé e Coari, no Amazonas, apenas cerca de 4% das pessoas com sintomas depressivos recebiam algum tipo de atenção em saúde mental. “São locais com boa cobertura da Estratégia Saúde da Família [ESF], mas sem profissionais especializados. As pessoas praticamente não têm acesso ao cuidado”, aponta. 

Tecnologia como apoio na atenção básica 

Foi a partir desse desafio que surgiram os projetos coordenados por Menezes e sua equipe. Há cerca de 15 anos, os pesquisadores começaram a desenvolver um aplicativo voltado para pessoas com sintomas de depressão associada a doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. 

A ferramenta utiliza técnicas de ativação comportamental, uma abordagem já validada cientificamente para o tratamento da depressão, e pode ser acompanhada por profissionais da atenção básica sem formação especializada em saúde mental. 

O modelo foi testado em estudos realizados em unidades de saúde da zona leste de São Paulo e também em Lima, no Peru. Os resultados mostraram que pacientes que utilizaram o aplicativo apresentaram recuperação mais rápida quando comparados aos que receberam apenas os cuidados tradicionais oferecidos pelas equipes de saúde.  

Fonte: Metrópolis  

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