Estado com o maior número de casos da variante Delta identificados no Brasil, o Rio de Janeiro encabeça um movimento nacional de agravamento da pandemia, cujos indicadores chegaram a cair nos últimos meses. É o que mostra a última atualização do boletim Infogripe, da Fiocruz, concluída em 10 de agosto. Pela primeira vez em mais de cinco meses — mais precisamente desde a 12ª semana epidemiológica do ano, que foi de 21 a 27 de março —, o estado voltou a apresentar tendência de crescimento na incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) a longo prazo. O dado tem como referência as confirmações de SRAG lançadas no sistema Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde, nas últimas seis semanas. Com base nesses números, o instituto estima que o Rio tem mais de 95% de chances de ter adentrado uma escalada no número de episódios de SRAG, que atualmente tem como principal causador o vírus Sars-Cov-2, da Covid-19.
“Nosso principal alerta é para o Rio de Janeiro em particular, que tem o sinal mais evidente de aumento em comparação com os demais estados. Pela segunda semana consecutiva, o Brasil dá um indício claro de interrupção na tendência de queda, e o Rio lidera esse movimento — explica o pesquisador Marcelo Gomes, do grupo de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica da Fiocruz.
Com uma lente temporal mais ampla em direção ao passado, o indicador tem como objetivo reduzir o impacto de pequenas variações nos números da pandemia ao longo dos meses para oferecer uma perspectiva mais estável do que há por vir. Mas não são só os dados de longo prazo que apontam uma tendência de alta no número de casos de SRAG. Pela primeira vez desde o início de julho, o Rio também apresenta crescimento na tendência a curto prazo, ou seja, a partir dos números das últimas três semanas.
Para Gomes, os números não devem ser associados apenas à ação da variante Delta, embora ela possa contribuir. O comportamento coletivo, com retomada de atividades presenciais e relaxamento nos cuidados individuais como uso de máscara e evitar aglomerações continua sendo o principal suspeito, porém agora com presença de uma variante mais transmissível. Além disso, o novo aumento nos casos pode resultar ainda da saturação na proteção conferida pelas vacinas aos mais velhos, que não só se vacinaram há mais tempo, como também tendem a responder menos ao estímulo imunológico. Outros patógenos causadores de SRAG — como o vírus sincicial respiratório (VSR), que costuma ter um forte componente sazonal — se mantêm em níveis estáveis de contágio, de modo que a Covid-19 continua sendo o principal fator.
Fonte: oglobo.globo.com